quarta-feira, março 28, 2007

Cena # 02 – O despertar

Este é o dia a dia da dupla dinâmica:
Amino apenas faz trajeto casa-escola-casa. A mãe do menino trabalha em um hospital à tarde e só retorna bem tarde da noite, como ele é órfão de pai, ela o deixa aos cuidados de Idoméia - esta senhora era avó do menino. Eles haviam se mudado porque o menino queria conhecer a terra do pai, e também porque a mãe não tolerava mais a família (eles eram contra a união dela com o pai do garoto e a aborreciam por causa disto).
No caso da menina, ela tinha um dia cheio. Ela acorda cedo e vai para colégio. Depois de almoçar em casa, tem aula de caratê e inglês (nas segundas e quartas); aula de natação e de piano (nas terças e quintas) e por último, ela pratica vôlei (nas sextas-feiras, aliás, o dia menos corrido dela).
De noite e nos fins de semana ela tenta se divertir com os pais ou atormentá-los com seu espírito agitado.
E foi numa sexta-feira que a cena anterior se desenvolveu – Anna voltava de sua aula e o encontro ocorreu. O tempo passou e eles tornaram-se amigos.
Hoje, dias após, num Sábado, eles têm o dia livre para se amigarem. Ela o convida para jogar vídeo-game na casa dela, como sempre, e sendo perto da casa dele (na realidade da avó), ele podia ter liberdade para visitá-la.
Eis o que ocorre, o menino sai de casa e desce a rua, mas ao chegar na esquina, ele dobra a esquerda e revê os valentões de sempre. Ele recua, percebendo que sozinho, apanharia. Decide fugir, mas ao invés de correr para casa, escapa na direção contrária a que seguia. Ele é rápido e consegue ganhar distância, mas segue justamente para lugares desertos...
Ele está certo da fuga, até que vê um dos garotos na esquina à sua frente (montado ainda em sua bicicleta) à espera. Ele pára e é cercado. A surra é iminente. Ele ergue as mãos para proteger o rosto, suplicando silenciosamente ajuda e...
Um longo e estranho ruído ressoa. Foi um rugido? Um trovão?
O menino sumira. Em seu lugar estava um rapaz – vestido de maneira singular – com cabelos loiros e olhos azuis. Possuía estranhas tatuagens nos braços e no rosto.
Os ‘rivais’ se entreolham assombrados. O estranho sorri zombeteiro e diz que era hora do ‘retorno’.
A cena mostra Anna. A menina estranha o menino não surgir e irrita-se. Ela se pergunta onde o ‘idiota’ estaria, afinal ele nunca se atrasa.
A cena volta outra vez para a rua e mostra os valentões caídos. De pé, triunfal, está o loiro tatuado.
De repente, seu corpo é envolto por uma luz e ele encolhe, tornando-se Amino. O menino está maravilhado com o que houve, ele vencera aqueles valentões!
Mas como? Tudo o que se lembra foi tentar se proteger e segurar seu cordão enquanto... pedia ajuda para ser salvo!
Segurou outra vez o objeto, que parecia brilhar. Mas nada acontecia. O que tinha feito anteriormente? Olhou ao longe e avistou em uma casa da vizinhança, as horas na velha torre de relógio. Estava atrasado!
Vira-se e finalmente percebe que Anna assiste a cena. Os olhos arregalados e a boca semi-aberta.
Ela apenas diz:
‘O que foi isto?’